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Raízen protocola Recuperação Extrajudicial com dívidas concursais de R$ 65 bilhões

A Raízen S.A. protocolou plano de recuperação extrajudicial contemplando R$ 65 bilhões em dívidas concursais, com período de standstill de 90 dias. O instituto produz efeitos apenas sobre credores quirografários aderentes.
Recuperação extrajudicial e reestruturação empresarial

A Raízen S.A., conglomerado atuante nos segmentos de produção de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, protocolou, em 11 de março de 2026, plano de recuperação extrajudicial perante credores que representam mais de 40% do passivo financeiro da companhia. O instrumento contempla R$ 65 bilhões em dívidas concursais e prevê um período de standstill de 90 dias — mecanismo pelo qual os credores se abstêm de cobranças e execuções durante as negociações.

O passivo está distribuído de forma equilibrada entre instituições financeiras (bancos) e investidores do mercado de capitais (detentores de bonds, CRAs e debêntures), cada grupo respondendo por aproximadamente 40% do montante total.

A recuperação extrajudicial, instituto regulado pelos arts. 161 a 167 da Lei nº 11.101/2005, produz efeitos exclusivamente em relação aos credores quirografários. O instituto suspende o serviço das dívidas financeiras sujeitas à negociação, preservando a normalidade dos pagamentos a fornecedores.

No plano de reestruturação de capital, estão previstas contribuições de R$ 3,5 bilhões pelo Grupo Shell e R$ 500 milhões pela Aguassanta Investimentos, veículo vinculado à família Ometto, controladora da Cosan. A Raízen encerrou dezembro de 2025 com R$ 17,3 bilhões em caixa, acumulando prejuízo líquido de R$ 19,8 bilhões nos nove primeiros meses do ano-safra 2025/26.

Na mesma data, a Moody’s Ratings rebaixou o rating da Raízen de Caa1 para Caa3, citando elevado endividamento e persistente geração de fluxo de caixa negativo.